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Artes Sensoriais

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Ana Luisa Baptista

É no aqui e agora que o acontecimento se dá como se fosse pela primeira vez embora num passado remoto este acontecimento já se tenha dado através de sensações corpórea. Podemos pois enunciar: “tudo está lá”.

Nós o sentimos hoje, não por tudo, estar lá, mas sim, tudo está lá por o sentirmos no aqui e agora.

Lygia Clark

Na Análise Psico-Orgânica busca-se acolher a Sensação (o que vem do corpo), o Sentimento (o que vem da alma), e o Sentido (o que vem do espírito).

Para tanto, o trabalho caminha em três direções:

  • a Conexão Orgânica no momento presente do trabalho terapêutico, que permite a percepção da forma como o sujeito introjetou o que foi vivido, remetendo-se na vivência da Situação de forma individual e coletiva, abrindo espaço para a emersão de imagens inscritas no corpo ;
  • o encontro com Orgânico Profundo vinculado ao desejo e aos instintos, expresso através do Sentimento – revelador da qualidade da experiência sensória/sensitiva. Refere-se à experiência de impressões e de expressões sensoriais. Trata-se de “… respostas às situações (simbólicas, reais ou imaginárias) interiores ou exteriores” (BOYESEN, Tome 5, 1999).
  • e ao conceito, que trás a forma como o que foi vivido é percebido e elaborado, chegando ao sentido da experiência, à Expressão.

 

Na utilização da Arte Sensorial na prática arteterapêutica, focaliza-se o corpo, as sensações, como via de acesso ao inconsciente. A “Sensação” é precisamente isso que se engendra em nossa relação com o mundo para além da percepção e do sentimento. Quando uma sensação se produz, ela não é situável no mapa de sentidos de que dispomos e, por isso, nos estranha. Para nos livrarmos do mal-estar causado por esse estranhamento nos vemos forçados a “decifrar” a sensação desconhecida, o que faz dela um signo. Ora a decifração que tal signo exige não tem nada a ver com “explicar” ou “interpretar”, mas com “inventar” um sentido que o torne visível e o integre ao mapa da existência vigente, operando nele uma transmutação (Rolnik, 1995, p. 2) .

Um signo que ganha um sentido torna-se um símbolo. Ou seja, é uma imagem a qual se atribui uma qualidade afetiva, pessoal e única para cada sujeito e que apresenta um significado para o coletivo. Logo, na busca em decifrar a sensação experimentada nos deparamos com “… o arquétipo (que) aparece no aqui e agora do espaço e do tempo, podendo, de algum modo, ser percebido pelo consciente. Falamos então de símbolos” (JACOBI, 1995, p. 72). Este é passível de diferentes interpretações que podem variar de acordo com as referências socioculturais e com a compreensão (sentido) de cada sujeito.

 

Em Análise Psico-Orgânica, entende-se por Situação a projeção do sujeito sob o meio externo.
“Refere-se à experiência de impressões e de expressões sensoriais”. (Boyesen, Tome 5, 1999).

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